… publico abaixo, texto de um amigo e colega de faculdade, Tiago Badá… palmeirense roxo, observador de um clube estrangeiro, profissional da área… o texto mostra bem o que o torcedor do verdão percebe o momento atual do seu clube do coração… como ele mesmo diz, o grande perigo dessa fase do clube é que dificilmente sua geração de novos torcedores se manterá a mesma… e de grande clube pode vir a se tornar pequeno… e isso não é só ruim para o clube e sim para o futebol como um todo…

Palmeiras perto do fundo do poço

O Palmeiras tem tudo pra conseguir a proeza de ser campeão da Copa do Brasil, e rebaixado no Campeonato Brasileiro, no mesmo ano. Disputar a Libertadores, e a Série B, em 2013. Nem mesmo a inauguração da Arena no segundo semestre do ano que vem pode ser considerada um atrativo. As manchas deixadas pelos cartolas nos últimos anos afastam os bons profissionais. Pouca gente quer se aventurar no time de Palestra Itália. A negativa de vários técnicos em assumir o lugar de Felipão é mais que emblemática. E pensar que nos últimos anos passaram por lá Wanderlei Luxemburgo, Murici Ramalho e por último, Luis Felipe Scolari. Será que todos estes treinadores estavam errados? Será que por culpa deles o Palmeiras não foi competitivo, vencedor? Será?

O principal problema é recorrente e uma marca registrada: a política. Por ser ainda um clube de colônia os problemas se potencializam. A modernidade passa longe e o conservadorismo parece eterno, assim como a crise. Várias facções políticas, nestes períodos, assumiram o poder e foram incompetentes. Há uma clara demonstração de que não conseguem administrar o futebol. São várias rachaduras, pensamentos e filosofias distintas. Não há união. Muita gente trabalha contra o próprio clube de olho na cadeira superior e nos cargos. O futebol cada vez mais profissional não admite mais o amadorismo. Enquanto esses dirigentes e conselheiros não tiverem a humildade de reconhecer suas próprias incompetências, e o tamanho do buraco, a tendência é piorar cada vez mais.

O rebaixamento, cada vez mais próximo, é apenas mais uma aviso que a lição de 2002 não foi aprendida, ou digerida. Ainda não é o fundo do poço. O patrimônio que ainda resta é a paixão do torcedor, cada vez mais desanimado e pessimista. As novas gerações de torcedores estão ameaçadas. Isso sim poderá ser o fim de um grande clube. Não basta ter história e tradição.

As eleições diretas, ou seja, uma mudança na estrutura política, poderiam ser um alento. Mas se olharmos para o feudo que constitui o Conselho do Clube parece não ser a salvação. Talvez, a terceirização do futebol para um grupo de executivos, sem ligações políticas, possa ser uma saída. Porém, num clima onde a inveja, a falta de humildade, o amadorismo e o conservadorismo imperam é pura utopia.

Olhando para o futuro, ve-se de tudo, menos dias melhores ao grande e agora pequeno Palmeiras.

Tiago Badá

Especialista em Fisiologia do Exercício e  Treinamento Esportivo MBA em Gestão Esportiva Consultor e Observador Técnico AC Milan/América do Sul Treinador Esportivo ACM São Paulo